Oração funebre recitada nas exequias do Illm.^o e Exm.^o Sr. Pedro Alexandrino da Cunha

Antonio Vasconcellos

Ora??o funebre recitada nas exequias do Illm.^o e Exm.^o Sr. Pedro Alexandrino da Cunha

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Illm.^o e Exm.^o Sr. Pedro Alexandrino da Cunha, by Antonio Vasconcellos This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included with this eBook or online at www.gutenberg.org
Title: Ora??o funebre recitada nas exequias do Illm.^o e Exm.^o Sr. Pedro Alexandrino da Cunha
Author: Antonio Vasconcellos
Release Date: June 19, 2006 [EBook #18628]
Language: Portuguese
Character set encoding: ISO-8859-1
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Ora??o Funebre Recitada nas Exequias do Illm.^o e Exm.^o Sr. Pedro Alexandrino da Cunha.
por
Antonio Augusto Teixeira de Vasconcellos.
Loanda. Imprensa do Governo. 1851.

Este �� o juizo que pela boca da independencia profere para sempre a verdade.
Fr. Joaquim de Santa Clara. Arcebispo d'Evora. Ora??o funebre nas Exequias do 1.^o Marquez de Pombal.

ORA??O FUNEBRE.
Senhores:--De quantas grandezas existem sobre a terra nenhuma �� t?o solida e duradoira como a da virtude, e mais s?o muitas, s?o quasi innumeraveis as poderosas circumstancias accidentaes a que o juizo dos homens costuma ligar a id��a de grandeza.
Aqui a accumula??o das riquezas exige os obsequios de todos; acol�� a casualidade do nascimento requer a geral venera??o; n'uma parte a elevada cathegoria do emprego demanda o publico respeito; n'outra o valor nos feitos grandiosos da guerra ordena pela voz da fama, nem sempre justa, a admira??o universal: mas quando no livro da Providencia se voltou a ultima pagina da vida do homem, quando para esses obsequios, para essa venera??o, para esse respeito, para essa universal admira??o, j�� n?o existe sen?o um cadaver, que em breve vae sumir-se na terra para n?o tornar a apparecer, ent?o levanta-se a raz?o publica, independente, livre, e imparcialmente severa, a pezar em rigorosa balan?a o merecimento do morto, e a ensaia-lo na legitima pedra de toque, para que o verdadeiro oiro se separe da liga impura que lhe alterava o valor.
Neste processo em que n?o valem as astucias dos causidicos, em que �� inutil deprecar a benevolencia dos juizes, em que a interpreta??o das leis n?o soffre as duvidas e contingencias do f?ro, lavra-se a senten?a imparcial, que ou condemna o morto ao eterno esquecimento, e desprezo dos vindoiros, ou lhe adjudica um nome glorioso, e a saudosa recorda??o de todas as idades.
N?o vale a grandeza do nascimento ao que se esqueceu de imitar as virtudes dos seus maiores; n?o aproveita a accumula??o das riquezas ao que as n?o empregou honradamente; a qualifica??o do cargo publico n?o salva o que nelle faltou aos seus deveres, e nas cuias da balan?a poem-se de um lado a gloria militar, e lan?a-se na outra o sangue derramado, as injusti?as, as oppress?es, e os crimes.
S�� a reputa??o adquirida pelo exercicio constante da virtude, n?o tem a descontar neste ultimo pleito nem os preconceitos dos homens, nem a influencia do oiro, nem o p��zo da authoridade, nem a for?a das proprias victorias, porque nenhuma dessas circumstancias accidentaes deu origem ao honrado conceito que os contemporaneos legam �� posteridade ��cerca do homem virtuoso.
A senten?a que ent?o se lavra �� insuspeita e digna; os juizes desapaixonados e rectos, porque naquelle tribunal respeitavel levantam-se todas as vozes desassombradas de receio, livres de dependencia, izentas de respeitos humanos, algumas vezes mesmo desacompanhadas de caridade christ?, como que para se desfor?arem do jugo que durante a vida lhes impoz aquelle, que nem sequer j�� p��de escuta-los.
Debalde a voz do Orador affei?oado se levantaria a desculpar os defeitos do morto, que mais alta que a sua, a voz da independencia, da raz?o, e da verdade, despeda?aria junto ao feretro sepulchral o edificio da lisonja, nem haveria voz que n?o balbuciasse perante os contemporaneos, quando estes podessem bradar �� posteridade--mentira--mentira!
Felizmente eu posso neste sanctuario erguer a voz livre de receio, embora eu seja o menos qualificado para a nobre func??o com que me honraram, embora me faltem todos os requisitos necessarios para poder elevar-me �� altura da minha miss?o, porque eu vou fallar de pessoa a quem n?o podia ter affei??o nem odio, porque me n?o foi dado conhec-��la, e tambem porque as minhas vozes ser?o apenas o echo da opini?o geral dos habitantes desta Provincia, e principalmente dos moradores desta boa Cidade, e eu pr��so muito esta occasi?o de pagar a larga divida de reconhecimento em que lhes estou, servindo de interprete publico e solemne dos seus mais intimos sentimentos, da sua mais justificada saudade.
Na falta de merecimento proprio heide inspirar-me da id��a sublime que vos reunio aqui, do santo respeito que
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